Produção de uvas envolve 14 mil famílias de agricultores gaúchos

É da uva que vem toda a renda produzida na área de 3,89 hectares da agricultora Ivoni Menegotto, 53 anos, há 20 vivendo na propriedade localizada no distrito de Tuiuty, no interior de Bento Gonçalves. O filho, que trabalha na cidade, ajuda a cuidar dos parrerais no fim de semana, mas na maior parte do ano, dona Ivoni garante o sustento sozinha. E há trabalho para o ano inteiro.

"Agora em agosto chega a hora de podar e amarrar. Em setembro, é a hora de tratar. Depois vem a poda verde e lá em janeiro começamos a colher", afirma a agricultora. "Folga mesmo, só um pouco em março", conta, em uma entrevista concedida em meio ao trabalho nas parreiras que duraria todo o dia. No dia anterior, a propriedade de dona Ivoni havia servido como "sala de aula" para um treinamento de poda nas parreiras.

Vizinha à vinícola Salton, Ivoni é uma das 500 fornecedoras de matéria prima para a empresa de Bento Gonçalves. A vinícola oferece cursos e treinamentos para que os produtores gerenciem os custos da propriedade, apliquem defensivos com segurança, tratem as parreiras da maneira adequada e, assim, produzam uvas de melhor qualidade, agregando valor à produção. Todo esse processo levou a propriedade de dona Ivoni receber certificações de comércio justo e que atestam a qualidade do produto. "Melhorou bastante coisa. Em termos do agrotóxico, para a gente se cuidar. E depois porque consigo um melhor preço na uva", resume.

Assim como dona Ivoni, outras 14 mil famílias de agricultores familiares gaúchos estão envolvidos na produção de uvas para as inúmeras vinícolas do Rio Grande do Sul - são 751 estabelecimentos com registro no Ministério da Agricultura. Grande produtor de vinhos do Brasil, o Estado é responsável por 90% da produção nacional. O setor vitivinícola é responsável por 1% do PIB gaúcho. Em 2012, a produção de uvas foi de 60 milhões de quilos. 
Prioritário para a Política Industrial do Rio Grande do Sul, o setor vitivinícola vem sendo alvo de uma série de ações do Governo do Estado, no sentido do fortalecimento da cadeia produtiva e divulgação do produto gaúcho. O apoio ao setor ganhou impulso com a reinstalação, em 2011, da Câmara Setorial da Uva e do Vinho, no âmbito da Secretaria da Agricultura.

O Governo duplicou o repasse do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura (Fundovitis) ao Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), que em 2013 chegou a R$ 10 milhões, recursos aplicados em diversas ações voltadas à organização da cadeia produtiva e à divulgação do produto gaúcho. Com recursos do Fundovitis, a Secretaria da Agricultura está desenvolvendo ações como a consolidação da marca Vinhos da Campanha, projetos de enoturismo para novas regiões, apoio ao Laboratório de Referência Enológica e qualificação da assistência técnica para os produtores de uva.

Os bancos estatais - Banrisul, Badesul, BRDE - vêm sendo responsáveis pelo financiamento de vinícolas e obras de expansão nas indústrias. Entre 2011 e 2013, o BRDE financiou um valor correspondente a R$ 104,5 milhões para o setor vitivinícola no Estado. À vinícola Salton, foram repassados R$ 29,8 milhões pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul para modernização da vinificação, tancagem, filtros e infraestrutura, obra visitada pelo governador Tarso Genro na tarde dessa quarta-feira (25), em Bento Gonçalves, no primeiro dia da Caravana de Interiorização.

"Essas obras são de vital importância para o futuro da empresa", resume o presidente da vinícola, Daniel Salton. Fundada em 1910 pelos filhos do imigrante italiano Antonio Domenico Salton, passa atualmente por duas obras importantes para a ampliação da produção e a qualificação da logística. Internamente, a Salton está ampliando a área das caves para a produção de espumantes a partir do método champenoise, mais artesanal, de melhor qualidade e de boa aceitação no mercado internacional. De outro, está construindo um depósito ao lado da vinícola, para reduzir os custos de logística.

Daniel Salton explica que a ampliação das caves é importante na medida em que a empresa, líder nacional em produção de espumantes, busca se posicionar no mercado internacional com espumantes produzidos com o método champenoise. "O espumante é o grande trunfo da Salton hoje. Para exportação, o mercado prefere o método champenoise, por isso a necessidade de ampliar as caves era urgente", afirma.

Já a construção de um depósito externo vai agilizar a logística da empresa. "Tínhamos um pavilhão na cidade, que era da época dos nossos avós. Este novo depósito, que será concluído em setembro, vai facilitar a logística, com a estocagem sendo feita no local", explica o presidente da empresa.

Para Daniel Salton, o crescimento da vinícola impacta na vida dos agricultores familiares como dona Ivoni, que fornece a matéria prima. "Temos fornecedores desde a época do meu avô. Vem de pai para filho, assim como nós, da quarta geração que está na administração da empresa. Isso faz com que o fornecedor se motive e também amplie seus vinhedos", afirma.

fonte: Redação Secom

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