Agronegócio: Turra apoia continuidade de Neri Geller no Mapa

Não se mexe em time que está ganhando. Não exatamente com essas palavras, mas a mensagem foi a mesma. O ex-ministro da Agricultura e hoje presidente executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, defendeu a manutenção do atual chefe da pasta da Agricultura no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Turra definiu Neri Geller como “simples, de diálogo e do meio”. Sobre a especulação de que a senadora e presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Kátia Abreu, poderia assumir o Ministério da Agricultura (Mapa), o dirigente da ABPA opinou que a líder ruralista é respeitada, mas sugeriu que ela poderia ajudar mais nas funções que já ocupa.

Turra declarou que aplaudia a gestão de Geller e que apoia a recondução ao cargo. O dirigente da ABPA também espera que o governo federal mantenha e eleve as ações de promoção do setor, lembrando do peso que tem na geração de divisas. O superávit de itens primários tem dado contribuição decisiva para o saldo comercial. 

Em relação à definição do secretário da área no próximo governo, evitou comentar eventuais alternativas. O partido de Turra, o PP, ocupou a pasta no governo de Yeda Crusius, com João Carlos Machado, e apoiou Ivo Sartori no segundo turno. “Espero que o governo Sartori valorize bastante o setor adotando medidas de incentivo ao seu crescimento”, projetou o ex-ministro, que acalenta ver o Estado reassumindo o protagonismo em segmentos do ramo primário. Frangos, suínos e carne bovina, os três maiores rebanhos estaduais, já tiveram liderança. No Tá na Mesa ontem, na da Federasul, em Porto Alegre, Turra defendeu que o governo brasileiro sele mais acordos bilaterais para expandir mercados no exterior. Para o palestrante, a relação com o Mercosul bloqueia negociações. Ele citou o exemplo do Chile, que tem dezenas de acordo. 

“O setor agropecuário vive uma nova fase com a agregação de valor e inovação tecnológica”, afirmou o convidado, que abordou as parcerias estratégicas para o desenvolvimento do agronegócio. Turra citou que países como Indonésia e Índia, que poderiam comprar frango do Brasil, inserem dificuldades tarifárias (os indianos impõem sobretaxa de 150%), e em sanidade (Indonésia), que são na verdade barreiras comerciais. O governo brasileiro denunciou a Indonésia à Organização Mundial do Comércio (OMC), pois o país é signatário da entidade.

A Rússia, com o fim de embargo às carnes brasileiras, na esteira da crise na Crimeia, ainda não teve grande impacto em aumento de exportações. “Falta produto”, justificou. Segundo Turra, as crises que atingiram o setor derrubaram investimentos em aumento de plantel e a retomada não pode ser apenas para atender a um mercado que se abre em uma conjuntura de conflito. Os volumes de embarques de frango crescem mês a mês para a região, triplicaram em setembro frente a outubro e devem se estabilizar em 25 mil toneladas ao mês até dezembro.

O presidente da federação, Ricardo Russowsky, reforçou que o setor produtivo primário precisa elevar o processamento de matéria-prima, em vez de exportar o maior volume, caso da soja. “O grande desafio da agricultura é a industrialização”, diagnosticou Russowsky, que aposta na capacidade de atração de investimentos. O presidente da Federasul citou o exemplo da fábrica da General Motors, que começou a operar no final dos anos de 1990 em Gravataí, e seu efeito na matriz produtiva gaúcha. No evento, a direção da Federasul entregou o prêmio “Vencedores do Agronegócio”, que integra calendário dos 87 anos da federação. O troféu Três Porteiras foi distribuído aos escolhidos em sete categorias, além de três destaques especiais.

Confira matéria no link original 
Francisco Turra destacou que o setor agropecuário vive uma nova faseFoto: FREDY VIEIRA/JC

Comentários