Informação é o principal insumo da produção agroecológica, diz professor

O principal insumo da agroecologia é a informação. Esta é uma das conclusões do painel Desafios da Produção de Alimentos Saudáveis Frente as Mudanças Climáticas, integrante do seminário As Mudanças Climáticas e o Impacto na Produção de Alimentos, promovido pela Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa nesta segunda-feira (19). Segundo o professor André Gonçalves, do Instituto Federal de Educação de Santa Maria, é preciso pensar um sistema produtivo resiliente, que seja capaz de se adaptar às incertezas climáticas e, ao mesmo tempo, mitigar seus efeitos.

Mesmo reconhecendo que o cenário não é otimista para os que se dedicam a implantar um modelo de agricultura para “esfriar o Planeta” e gerar serviços ambientais (carbono, água e diversidade biológica), Gonçalves sustentou que a produção agroecológica tem papel fundamental no enfrentamento à chamada monotonia dietética, patrocinada pela agricultura industrial, e na preservação da natureza. Os desafios da agroecologia, conforme Gonçalves, passam pela manutenção da biodiversidade, conectividade ecológica e social, capacitação permanente, ampliação dos atores envolvidos no sistema produtivo e construção de um sistema policênico de governança.

Ele apresentou diversas experiências nacionais e internacionais nas quais os princípios da agroecologia fazem a diferença, como a Rede Ecovida de Agroecologia, que envolve mais de cinco mil famílias de agroprodutores da Região Sul do Brasil, iniciativas de agricultores africanos, que consorciam a produção de alimentos com os biomas locais e de assentamentos na Zona da Mata de Pernambuco, que produzem 130 toneladas de alimentos por hectare ao ano. Relatou ainda eventos climáticos, cujas consequências foram mitigadas nas lavouras agroecológicas, como o Furacão Catarina que atingiu o Litoral Norte do Rio Grande do Sul em 2004 destruindo os bananais existentes na região, com exceção dos que foram implantados em meio às florestas.

Gado de corte
O reitor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Jaime Giolo, alertou que o gado de corte está ocupando o espaço da agricultura familiar no Rio Grande do Sul, por conta de dificuldades de sucessão nas propriedades rurais. Segundo ele, a região Noroeste, que abriga o maior número de estabelecimentos de agricultura familiar no Rio Grande do Sul, é também a que mais utiliza agrotóxicos. “As estatísticas apontam que são lançados nas lavouras sete litros de agrotóxicos por pessoa por ano. No entanto, no sudoeste do Paraná, se tem notícia de 130 litros por pessoa ao ano”, revelou.

Para fazer frente ao uso de produtos químicos na produção de alimentos, a UFFS lançou um programa para incentivar a comercialização de produtos agroecológicos dentro da universidade.

A professora Cibele Cheron apontou três fatores impeditivos para o avanço da agroecologia no mercado. Segundo ela, além do alto custo para os consumidores dos grandes centros urbanos, os produtos agroecológicos estão fora do cardápio cultural da população. Outro elemento determinante que afasta o consumidor deste tipo de produto é o tempo envolvido na aquisição e na preparação do alimento. “As famílias trabalhadoras moram cada vez mais longe dos locais de trabalho e têm uma jornada cada vez maior, configurando um cenário de tempo indisponível. Portanto, a luta pela sustentabilidade ambiental é também uma luta pela preservação e ampliação dos diretos dos trabalhadores”, defendeu.

Já o extensionista da Emater Gervásio Paulus propôs a criação de um observatório de eventos climáticos, articulado pelas universidades, movimentos sociais, ambientalistas e agricultores.

Encerramento
Ao encerrar o seminário o presidente da Comissão de Saúde e Meio Ambiente, Altemir Tortelli (PT), afirmou que é preciso levar informações à população sobre as consequências do atual modelo hegemônico de produção para a natureza e para a saúde humana. “As pessoas estão ingerindo morte. A contaminação das lavouras é um fato grave”, apontou.

Em 60 dias, a Comissão promoverá um novo encontro para tratar do assunto. O objetivo, segundo Tortelli, é sistematizar as propostas levantadas no seminário e elaborar uma agenda de intervenção no Parlamento e na sociedade para chamar a atenção para a gravidade da situação e propor mudanças na legislação e no comportamento da sociedade em relação ao tema.



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